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sábado, 30 de junho de 2012

Árvore de boa cepa

Por Durval Guelfi*

De uma semente quase invisível, posta na terra, brotou um rebento, a princípio tão frágil que a mais leve agressão poderia cercear-lhe a vida.

Sobrevivendo às ameças do meio, desenvolveu uma pequena haste flexível, que se curvava à menor brisa. Garantia, desse modo, a sua própria existência.

Com o correr do tempo essa pequena haste se tornou mais e mais rija, sem perder de todo sua docilidade, até que pode suportar a força dos maiores vendavais.

Na medida em que crescia, estendia e aprofundava raízes, para poder retirar do solo fértil cada vez mais seiva, o sustento do seu progresso. Ao mesmo tempo espalhava, presos em si mesma, galhos e ramos plenos de folhas sempre novas, que lhe proviam o oxigênio e outros elementos necessários à sua manutenção como ser vivo.

Agora, árvore adulta, vê o quanto sofreu, em ataques e mutilações. Ora foi um inseto que nela depositou suas larvas, e estas lhe devoraram um pedaços do tronco formou-se uma espécie de eczema cuja cicatrizaçao demorou anos. Ora foram as intempéries que lhe deceparam galhos e ramos. Ora, o que foi a pior das suas agruras, árvores de crescimento mais rápido roubaram-lhe o sol.

Como árvore de boa cepa, tudo suportou, e continuará lutando, continuará subindo, se curvará e se contorcerá, até encontrar de novo a vida, e resistirá às ofensas e agressões.

No seu percurso para o alto a árvore deu flores, produziu frutos e
disseminou mais vida. Enquanto existir exibirá, sempre, brotos novos, num contínuo renascer. Concluído seu ciclo de vida, se transformará em lenha da qual se fará o carvão. E sua descendência será igual a ela: fecunda e numerosa. 

Quando vires um homem idoso, no corpo a marca da luta contra a doença, no rosto os vincos dos dias vividos, das decepçoes e da adversidade, e, apesar de tudo, na boca o sorriso e no olhar o interesse pela vida, lembra-te da velha árvore, cujo tronco áspero e nodoso exibe o ferrete inexorável do tempo, mas cujas folhas verdes testemunham a vitória na luta silenciosa contra toda hostilidade.


*Durval Guelfi é psicólogo e psicoterapeuta

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