CLIQUE AQUI E SEJA LEVADA Á MAIOR LOJA DE BIQUÍNIS ATACADO E VAREJO DO BRASIL

domingo, 1 de julho de 2012

Fernando Sabino falando sobre a dor e a delícia de escrever

O grande escritor mineiro também tinha as suas dificuldades e teorias para escrever. Neste trecho do livro O Tabuleiro de Damas ele faz uma explanação do seu ponto de vista.
Nada mais penoso para mim que a busca da expressão adequada, da propriedade vocabular. Há mil maneiras de dizer uma coisa e só uma é perfeita. Para descobri-la, a gente pode levar a vida inteira. (…)
Acredito que escrever seja, basicamente, cortar. Cortar o superfulo. Eliminar repetições, ecos,rimas, cacófatos, redundâncias, lugares-comuns. Mas principalmente o excesso: como diz Otto (ou Unamuno, não me lembro), é preciso não duvidar da inteligência do leitor. (…)
Escrever, bem ou mal, é para mim cada vez mais difícil. Tenho dificuldade para escrever até um cartão de agradecimento ou um telegrama de pêsames. (…)
Otto é um privilegiado: além do talento literário que Deus lhe deu, tem redação própria.
Nem por isso deixa de ser também um torturado para escrever. Temos de nos consolar com aquele achado de Paulo Mendes Campos: “Quem tem facilidade para escrever não é escritor, é orador.” Truman Capote disse que Deus, quando dá a você uma vocação, dá também um chicote, que só serve para a autoflagelação. E afirmou:
- Eu me divertia muito escrevendo. Parei de me divertir quando descobri a diferença entre escrever mal e bem. Depois fiz uma descoberta ainda mais importante: a diferença entre escrever bem e a verdadeira arte. Foi brutal. Aí é que entra o chicote.
Segundo Ezra Pound, o bom escritor é o que mantém viva a eficiência da linguagem.  A palavra é que impulsiona a ação. No meu caso é um meio de transmissão da ideia ou do sentimento, e não um fim em si. Portanto, deve ser transparente, cristalina. Na hora de escolher entre duas expressões, opto sempre pela mais simples. Uma oração tem sujeito, predicado e complemento. Mesmo me afastando dessa ordem, procuro não a perder de vista. E, sobretudo, tomo cuidado com os complementos. As regras do estilo, para mim, continuam as de sempre: clareza, concisão, simplicidade.
E a criatividade, a inspiração em tudo isso? Esta deve ser livre, pura, espontânea como uma criança. Nenhuma preocupação deve interferir. No momento de saber as horas, não se deve desmontar o relógio para ver o como funciona. Tudo pode acontecer quando o escritor se senta diante de uma folha de papel em branco. Só não vale blefar: é jogar para ganhar ou para perder. É a sua hora da verdade. A hora do encontro consigo mesmo, de que falei.
Ou, como dizia o Viramundo: a hora da onça beber água.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.