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sábado, 15 de dezembro de 2012

Por que mulher usa salto? WALCYR CARRASCO



Walcyr Carrasco (Foto: reprodução)
Sempre me espanto com a capacidade que as mulheres têm de se equilibrar em saltos altíssimos e de caminhar com os pés inclinados, como um viaduto na montanha. Gosto de pés confortáveis. Sapato, para mim, quanto mais velho, melhor. Se me acostumo com um, uso até ficar em pedaços ou ser atirado no lixo por uma alma amiga preocupada com minha aparência. Meus amigos podem até gostar de sapatos. Mas não enlouquecem por eles. Fico me perguntando: por que mulher usa salto?

A primeira explicação seria, logicamente, a altura. Não vale por si só. Claudia Raia, por exemplo. Tem 1,78 metro. Mesmo assim, usa saltos altíssimos. Corre o risco de ser confundida com um coqueiro. Sim, alguns homens baixinhos usam saltos carrapeta para ganhar alguns centímetros. Chiquinho Scarpa, por exemplo. Já o vi de carrapetas. E me admirei pelo playboy mais famoso do país recorrer a esse subterfúgio. Não é pecado. O rei Luís XV também tinha essa vaidade, e o salto com seu nome sobrevive até hoje.

As mulheres preferem os altíssimos, de 10, até 15 centímetros. Finos. Algumas adotam espetos encravados nos pés. Um amigo psiquiatra explicou que é uma questão de autoestima: sentem-se mais belas, mais interessantes. Devolvi a questão: por que um sapato desconfortável melhora a autoestima? Eu ficaria em depressão. Refleti sobre o tema. Na China antiga, entre 3 e 8 anos, quatro dedos dos pés das meninas eram curvados para trás e enfaixados. O dedão ficava de fora para que o pé tivesse o formato de meia-lua. A partir daí, as faixas eram cada vez mais apertadas. De quando em quando, trocava-se o sapato para um número menor, para restringir o crescimento. O pezinho era um sinal de nascimento aristocrático e fetiche erótico do marido. A ponto de mostrarem, em pequenos pratos, os sapatinhos usados pelas mulheres. A prática só foi oficialmente proibida em 1949, por Mao Tse-tung. Durou mais de 1.000 anos.

Sapatos são fetiche, mas gosto
de pés confortáveis. Para mim, quanto mais velho for um
sapato, melhor 
Cinderela, no mundo ocidental – embora admita-se que o conto seja de origem chinesa –, vai na mesma onda. A fada ajuda a menina pobre a se vestir ricamente e lhe dá sapatinhos de cristal, que, aliás, deveriam ser muito desconfortáveis. Ela dança o tempo todo com o príncipe. Quando dá meia-noite, tem de fugir. E perde um dos sapatos na escada. Foi sorte ter perdido só o sapato. Correndo de salto, poderia ter rolado escada abaixo. Nesse caso o final seria outro. Mais tarde, o príncipe a reencontra, porque é a única moça do reino em cujos pés cabem o mimo de cristal. Detalhe: o príncipe não olhou para a cara dela durante o baile? A ponto de ser incapaz de reconhecê-la? Ou o príncipe tinha um problema neurológico, ou só ficou de olho nos sapatinhos. Para as almas ocidentais, fica a lição: um bom sapato é melhor para a ascensão social da mulher do que um diploma universitário, já que ninguém supõe que, nas horas vagas, Cinderela fizesse um curso pela internet.

Sapatos são fetiche, portanto. Há uma diferença entre os delicados sapatos chineses do passado, de seda, e os ocidentais, mais agressivos, em que o salto pode se transformar em punhal. Assassinato por um bom agulha é possível. Já vi em algum filme. Sabe-se que há podólatras, para quem um salto agulha é um ícone do desejo. Boa parte é composta de executivos gordinhos, que até gostam de chibatadas, muito distantes do príncipe de Cinderela, mas fazer o quê? Cada Cinderela tem o príncipe que merece.

Não é só questão de desconforto, é de saúde também. Soube de uma senhora baixinha que usou salto a vida toda. Não suportava a altura que a genética lhe concedera. Jamais tirava os saltos. Resultado: teve um encurtamento do músculo da panturrilha. Impossível voltar a andar descalça. Foi obrigada a fazer um sapato de salto especial, até para tomar banho. Mas continuou feliz. Problemas de coluna são comuns para quem usa salto com frequência. Outro dia, um podólogo me contou que é muito mais fácil tratar pé masculino. Os femininos têm calos, joanetes e unhas encravadas, no caso das adeptas de bicos finos. Diminuir o uso do salto seria, portanto, uma questão até médica. Mas adianta dizer?
Apesar das mudanças sociais, acredito que diferenças importantes entre os sexos sobrevivem. Mesmo com alguns adeptos dos carrapetas, usar sapatos de salto é uma delas. A maioria dos homens não cairá nessa. Nenhum executivo será bem-visto se comparecer na empresa de terno, gravata e salto agulha. 
 

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