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sábado, 19 de novembro de 2011

Autor explica por que somos menos espertos do que imaginamos; leia entrevista

"O equívoco: Você é um ser racional que vê o mundo como ele realmente é. A verdade: você está tão iludido quanto todas as outras pessoas, mas tudo bem, é isso que nos mantém sãos". É dessa forma que o jornalista americano David McRaney começa seu mais recente livro, "You are not so smart" (Você não é tão inteligente). Seu propósito é mostrar alguns mecanismos psicológicos que nos fazem pensar que nossa percepção da realidade e nosso relacionamento com o mundo são resultado de ações e decisões lógicas e racionais, quando a verdade não é bem essa.THIAGO FERNANDES


COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
"Você acha que sabe como o mundo funciona, mas a verdade é que a psicologia e a ciência cognitiva vêm demonstrando que nossos pensamentos e escolhas são influenciados por noções preconcebidas e padrões de pensamento sobre os quais não temos controle consciente", diz o autor. Assim, o que chamamos de realidade seria na verdade o resultado de um "autoengano" que o nosso cérebro exerce continuamente.
Para demonstrar isso, David analisa e relaciona diferentes estudos psicológicos que buscam entender como nos deixamos iludir constantemente por essas "armadilhas mentais". Ao longo de 48 capítulos curtos e recheados de exemplos cotidianos, ele se debruça sobre questões como a nossa tendência natural para a procrastinação e a busca por padrões lógicos em todos os lugares, mesmo onde eles não existem.
Mas o livro não é de autoajuda. Não traz uma receita para nos tornarmos mais inteligentes. Para o autor, o mais importante é termos essa consciência de que somos todos falhos e tolos. "Vamos admitir isso e seguir em frente".
Ainda sem edição brasileira, o livro é um aprofundamento do constante acompanhamento de estudos psicológicos feito pelo autor no blog youarenotsosmart.com. Por e-mail, David concedeu esta entrevista para a Folha.
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Folha - Por que pensamos ser mais espertos do que somos na realidade?
David McRaney - A pesquisa que fiz aponta para a autoestima. Estamos profundamente comprometidos em manter nossas cabeças erguidas e nossos egos inflados. Isso ajuda a nos sentirmos eficientes, com tudo sob controle, competentes e amados. Mesmo com alguns exageros, esse sentimento nos faz bem na maioria das vezes. É o que nos tira da cama pela manhã e nos dá a vontade de tentar fazer coisas que não faríamos se fôssemos brutalmente honestos sobre nosso lugar no mundo, nossas habilidades, inteligência, capacidade de atração, e assim por diante.
Essa autoilusão é uma maneira de nossa mente nos proteger do "mundo perigoso" lá fora?
Sim. Em alguns aspectos, isso é claro. Mas há muitas maneiras de nos autoiludirmos. A desconexão é acreditar que você é uma milagrosa criatura de racionalidade e lógica. Quando você vê a si mesmo e do resto da raça humana dessa forma é que surgem problemas.
De que modo essa visão afeta o nosso relacionamento com o mundo?
Nas condições normais, esse mecanismo funcionam bem. Mas quando fazemos escolhas pessoais ou políticas públicas baseadas na suposição de que nós vamos sempre fazer a coisa certa, ou a mais inteligente, é que nós ficamos em apuros. Devemos ser honestos e admitir as nossas fraquezas. Deveríamos trabalhar para fazer escolhas que levem em conta nossas tendências de autoilusão.
Como podemos lidar com essa tendência de nossa mente?
Nada disso pode ser eliminado. É apenas parte de quem somos. Temos essa predisposição para tentar confirmar o que já pensamos e também para a procrastinação. Julgamos as pessoas com base em estereótipos. Vemos o mundo através da lente da falácia do bom atirador texano [analogia psicológica para a tendência de se analisar uma situação continuamente até encontrarmos algum sentido, mesmo que forçado. O nome vem de uma piada em que um fazendeiro do Texas atira algumas vezes na parede de um celeiro e somente depois desenha um alvo tendo como centro a região com maior quantidade de tiros e diz ser um excelente atirador]. Assim, deveríamos construir nossas vidas em torno desses fatos sobre quem somos.
Na prática, o que pode ser feito para escapar dessas armadilhas?
Você tem que blindar sua vida. Trate o seu "futuro eu" (aquele que vai fazer as coisas amanhã) como uma criança. Você não pode simplesmente dizer a uma criança: "Olha, não coloque moedas nas tomadas". Você avisa e também coloca tampas de proteção nas tomadas. Você não pode confiar que seu futuro eu não vai comer alimentos que engordam, não pode confiar que ele vai fazer todas flexões ou que vai estudar para os testes e ficar fora do Facebook. Em vez disso, você deve tornar difícil para o seu futuro eu fazer essas coisas. Mantenha esses alimentos fora da casa. Pague uma academia para encorajá-la a justificar sua malhação. Use programas para limitar sua conexão com a Internet. Há muitas estratégias, mas a chave é planejar com antecedência e não confiar que seu futuro eu vai fazer o que é melhor para você.
No livro, você associa essas armadilhas mentais à necessidade de sermos coerentes. Psicologicamente, qual é o problema da incoerência?
A falta de coerência levanta várias questões em nossa cabeça. Ela causa ansiedade sobre se você está ou não sendo um bom membro para sua sociedade, família ou grupo social. Se as coisas estão indo bem e você não está sendo satirizado por seus pares, ser coerente te ajuda a manter as coisas desse jeito. A sensação de estar sendo incoerente aumenta o medo de julgamento, que está ligado ao medo do isolamento social. Além disso, para manter a sua auto-estima elevada, quaisquer características que você acredite ser importante em uma pessoa são as que você vai procurar ver em si mesmo. Quando a realidade não corresponde ao seu modelo mental, você ou se justifica e reescreve os fatos para que se sinta melhor, ou ajusta suas atitudes para reduzir a divergência.
Esses mecanismos são explorados externamente de alguma forma?
Tudo que está quantificado pela psicologia já foi há muito tempo descoberto pela publicidade, negócios, mágicos, golpistas e outros. Se uma estratégia persuasiva funciona em seres humanos e pode trazer dinheiro, com certeza já é explorada por alguma instituição. Isso funciona na fidelização de clientes, por exemplo. Se você escolhe uma marca, vai manter sua escolha ao longo do tempo em parte porque você tem uma profunda necessidade de ver a si mesmo como uma pessoa competente em suas decisões passadas e consistente com as que vai tomar no futuro.
Nossa vida cotidiana pode ser melhor se tomarmos consciência de nossa autoilusão?
Eu acho que isso nos dá uma humildade saudável e um senso de conexão com nossos companheiros seres humanos. Estamos todos juntos nisto, somos todos falhos e tolos. Vamos admitir isso e seguir em frente.
Reprodução
you are not so smart
"You Are Not So Smart"
Autor: David McRaney
Editora: Gotham
Páginas: 302
Quanto: US$ 14,50 (capa dura) e US$ 11,89 (versão digital)
Onde comprar: Amazon.com
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