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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A nova era do consumidor-inovador


Shutterstock
Com a internet e a redução dos preços de tecnologia, está caindo por terra o velho paradigma de que as empresas desenvolvem novos produtos para os consumidores, que apenas os recebem passivamente. Pesquisas internacionais recentes mostram que os consumidores geram, coletivamente, uma quantidade imensa de inovações em produtos. Se percebidos pelas corporações, esses consumidores e suas invenções podem ser uma fonte barata e de fácil acesso para saber o que o público espera e desenvolver produtos atraentes e com baixos custos de pesquisa e desenvolvimento.
Em um artigo publicado na Sloan Management Review, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), os pesquisadores Eric Von Hippel, Susumu Ogawa e Jeroen de Jong descrevem o fenômeno do consumidor-inovador percebido em três países: Estados Unidos, Japão e Inglaterra. No texto, eles apontam três conclusões principais. 1) Os consumidores são uma grande fonte de inovação em produtos. 2) Está cada vez mais fácil para os consumidores fazerem o design e criarem o que quiserem. 3) As empresas precisam reorganizar seus sistemas de desenvolvimento de produtos para aceitar e construir em cima dos protótipos criados por seus usuários.
O fenômeno deve ser maior nos países ricos por causa da educação e do nível de renda, dizem os pesquisadores. O perfil médio desse consumidor-inovador é o de uma pessoa bem-educada (com graduação, mestrado ou doutorado), que tem uma educação técnica (em ciências, engenharia ou curso técnico), e é homem. Mas, com a melhoria no ensino e a aparente predisposição para brigar pelo mercado de tecnologia, essa tendência poderá muito breve ser vista nos países emergentes, como o Brasil.
A maior parte dessas inovações surge da percepção de que o uso ou o design de determinado produto pode ser melhorado. Os exemplos vão desde roupas que podem ser vestidas por deficientes com apenas uma mão a ferramentas para poda de árvores e sistemas de escapamento para motocicletas Harley-Davidson. Em produtos digitais, essa potencialidade é ainda mais evidente. Usuários experientes já são pagos para debulharsoftwares, achar seus erros e melhorar as funcionalidades. Em startupsde base tecnológica, consultar o cliente para chegar ao produto ideal é quase um imperativo, em um processo chamado customer development (desenvolvimento pelo consumidor). Para saber mais, clique aqui.
O novo paradigma da inovação, como chamam os especialistas, traz implicações para consumidores e produtores. Do lado dos clientes, está ficando progressivamente mais fácil imaginar e criar produtos desejados. O custo de ferramentas de design está caindo, programas estão disponíveis de graça na web e são cada vez mais amigáveis ao usuário. Além disso, construir o produto também está mais fácil e barato. Impressoras 3D já são acessíveis a pessoas comuns. Além disso, pelo menos no exterior, empresas já aceitam confeccionar produtos a partir do design de consumidores. Utilizando tecnologias de CAM (computer-aided manufacture), que controlam máquinas via computador e aceleram o processo de produção, algumas companhias são capazes de confeccionar produtos inovadores encomendados não por empresas, mas por pessoas comuns, consumidores.
A maioria dos consumidores-inovadores não se prende à questão de propriedade intelectual – pelo menos é o que afirmam os autores, que entrevistaram cerca de 10 mil pessoas. Muitos querem que sua inovação seja disseminada. Outros não acreditam que ela vá despertar interesse. No entanto, algumas plataformas na internet já estão permitindo que os usuários publiquem seus designs para que possam ser conhecidos, estudados e avaliados por colegas e, quem sabe, por empresas interessadas.
Aí que as companhias devem ficar atentas. Segundo os autores, elas devem se perguntar: “o que precisa mudar se acreditarmos que os consumidores estão realmente desenvolvendo, criando protótipos e testando mercado para o que seria nossa mais recente inovação – isso tudo sem a nossa participação?”
As empresas precisam mirar essas criações com olhos despidos de preconceitos. Não são apenas esforços amadores, pobres em termos de engenharia. Eles refletem, muitas vezes, o uso que os consumidores querem. É uma informação valiosa para a empresa que, tomando cuidado com a questão de direitos autorais, pode utilizar a ideia e criar sua própria versão. As empresas também economizam dinheiro em pesquisa e desenvolvimento, pesquisas de mercado – tudo isso feito pelos consumidores, com seu próprio tempo e economias.
Para encerrar, os autores listam pequenos conselhos sobre o que as empresas devem fazer. Primeiro, parar de atacar os consumidores que modificam e inovam sobre os produtos. Pirataria deve ser vista como replicação para ganhos financeiros. Esses consumidores estão criando novos meios de usar os produtos. Segundo. Apoiar ativamente esses clientes especiais. Eles escolhem entre produtos e plataformas que oferecem o melhor retorno – seja aceitação do produto pelas companhias, incentivo das empresas para continuar em suas pesquisas particulares, bonificações, interação com o P&D da empresa. Por fim, dê o crédito da inovação a quem realmente merece: o consumidor. Além de angariar a boa vontade dos consumidores-inovadores, a imagem que será repassada à marca pode trazer mais benefícios positivos que qualquer campanha de marketing.

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