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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Macaco, leão e porco – Rivotril e a briga de Luciano



Daniel Martins de Barros
Psiquiatria Estadão-blogs do Estadão


“Tomei um porre de uísque e Rivotril”, disse o cantor Luciano em entrevista gravada no programa do Jô Soares. Para quem não sabe do que estamos falando, trata-se de um episódio recente na história dos dois filhos de Francisco, no qual Zezé di Camargo subiu ao palco sozinho, dizendo ter havido um desentendimento com o irmão no camarim e que por isso faria o show sozinho. 
Minutos depois Luciano apareceu, disse que cantaria até o final do ano e depois Zezé seguiria carreira solo. “Quando subi no palco, ainda no ímpeto da discussão, falei que ia parar e Zezé seguiria sozinho. Eu tava certo de que queria fazer isso”, confessou Luciano. 
Agora ambos declaram que a dupla não terminará e aparentemente está tudo bem.
Pelo visto, Luciano estava na fase do leão.
Reza uma lenda judaica que Noé estava plantando uma vinha quando satã se aproximou, curioso sobre aquelas uvas. “Delas sairá uma bebida que alegrará o coração dos homens”, disse Noé. 
O diabo ofereceu-se para ser sócio naquela empreitada, e tendo sido aceito, sacrificou ali um cordeiro, um macaco, um leão e um porco, espalhando o sangue deles sobre a plantação. 
Assim fazendo, fez com que as pessoas passassem a consumir o sangue desses animais quando bebiam o vinho, com consequências claras: inicialmente são tranquilas como o cordeiro, mas conforme bebem mais, tornam-se desinibidas e falantes, gracejando como um macaco; depois vão ficando confusas e perdem o medo, ganhando coragem como um leão; e por fim perdem o controle de si mesmas, rolando em sua própria sujeira como um porco. 
Tudo isso teria acontecido com o pobre Noé.
Embora sejam calmantes, e portanto sirvam para acalmar, os benzodiazepínicos podem levar a reações chamadas paradoxais, quando, em vez de fazer o sujeito se tranquilizar torna-o irritado, agitado, ansioso e por vezes agressivo. 
Estima-se que tal efeito seja raro, provavelmente menor do que 1%, mas isso pode não ser pouco se pensarmos que esses remédios estão entre os mais consumidos do mundo (o Rivotril sozinho é o segundo remédio mais vendido do Brasil). 
Não se sabe exatamente por que tal agitação ocorre, mas as principais hipóteses são de que, ao inibir a atividade cerebral de forma global, esses medicamentos inibem também as regiões responsáveis pelo autocontrole; além disso, a menor capacidade de atenção e percepção dos sinais sociais tornaria as pessoas mais propensas a reações exageradas em momentos de discussão ou hostilidade. 
O consumo concomitante de álcool é um fator de risco para essas reações paradoxais, e elas geralmente ocorrem em reposta a provocações e são percebidas pelos outros, mas não pela própria pessoa.
Então, fica a dica: se beber, não tome Rivotril. 
O codeiro pode virar leão e acabar a noite como porco, mais rápido do que se imagina

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