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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Para aliviar engarrafamentos, Nova Déli vai cobrar pedágio urbano

JASON BURKE

DO "GUARDIAN", EM NOVA DÉLI

Ninguém poderia criticar o plano por falta de ambição: aliviar a situação nas ruas engarrafadas da capital indiana, notoriamente caótica, impondo um pedágio urbano segundo os moldes das "tarifas de congestionamento" aplicadas em Londres, Cingapura e um punhado de outras cidades.
A Corporação Municipal de Déli, a organização encarregada de prestar serviços civis à cidade, espera lançar um sistema para cobrar uma tarifa de 150 rúpias (£2) sobre carros, motocicletas e até mesmo riquixás que entrem nas áreas centrais da cidade durante o dia.
"Isso vai ajudar a reduzir o congestionamento e incentivar as pessoas a usar os transportes públicos", disse à imprensa local o diretor da corporação, K.S. Mehra. A tarifa a ser paga por caminhões será mais alta.
Cingapura tem pedágio urbano desde os anos 1970, e vários sistemas foram adotados com êxito em Londres, Roma, Milão e várias cidades escandinavas nos últimos anos.
As autoridades de Pequim anunciaram recentemente que estudam a adoção de um pedágio urbano, e outras cidades chinesas como Xangai e Nangjing também estariam interessadas.
Mas até agora nenhuma cidade com as dimensões e a complexidade de Déli tentou introduzir esse sistema.
Poucos questionam a necessidade de serem adotadas medidas radicais na capital indiana. A construção de um metrô e a adoção de medidas para aumentar o uso de ônibus praticamente não reduziram o aumento do tráfego nos últimos anos. Uma década de crescimento econômico acelerado, associada ao repúdio que a crescente classe média tem pelos transportes públicos, significam que hoje há 6,8 milhões de veículos circulando pelas ruas de Déli, pelo menos o dobro do número de cinco anos atrás.
Os engarrafamentos gigantes são comuns. No inverno, a forte camada de poluição provoca acidentes, doenças respiratórias e cancelamentos de vôos.
Outras cidades indianas como Mumbai, a capital comercial do país, estudam a adoção de medidas semelhantes. O sistema de Déli seria implementado primeiramente em áreas vizinhas ao velho centro histórico.
Mas os especialistas estão céticos. "As medidas já tomadas para reduzir os congestionamentos, como os pedágios em torno de Déli, agravam o problema ao invés de melhorá-lo", opinou Rumi Aijaz, do instituto de estudos Centro de Pesquisas Políticas, de Déli. "Mesmo que a proposta seja politicamente aceita, simplesmente não existe a infraestrutura necessária."
Os pedágios em estradas chaves que unem Déli a suas cidades-satélites provocam engarrafamentos monumentais. Ocasionalmente são focos de protestos que podem se tornar violentos. Aijaz disse que é preciso uma estratégia mais ampla para lidar com o trânsito na cidade. "É preciso adotar várias medidas. Nenhuma medida isolada vai funcionar", disse ele.
Especialistas observam que um problema sério é a falta de licenciamento ou policiamento correto em Déli. Carteiras de habilitação podem ser compradas ilegalmente, e as leis que deveriam assegurar a condução segura e o fluxo melhor do trânsito são rotineiramente ignoradas.
Geralmente é possível evitar pagar multas de trânsito, pagando uma pequena propina a um policial. Existem poucos radares, mas uma página do Facebook que pede a passageiros irados que postem suas próprias fotos de infratores vem tendo repercussão maciça.
A polícia disse que cobrar o pedágio urbano seria um passo positivo - se fosse adotada uma tecnologia para evitar a formação de filas. Mas, mesmo que seja possível superar os obstáculos práticos, será difícil conquistar a adesão dos "delhiwalla", ou moradores da cidade, famosos por serem refratários.
Alguns comerciantes saudaram a proposta, mas seus fregueses se mostraram menos entusiasmados. "As pessoas já estão arcadas sob o peso de tantos impostos. Não precisamos de mais", disse ao jornal "Times of India" a professora Mamta Choudhary, que faz compras regularmente numa das áreas previstas para inclusão no pedágio.
Ram Thakur, gerente de 45 anos que passa até duas horas por dia no carro entre a cidade satélite de Faridabad e seu escritório, disse que tarifa alguma o fará abrir mão do carro pequeno que comprou um ano atrás. "Comecei vindo de bicicleta e passei 20 anos andando de ônibus. Agora sou dono do meu carro, e a vida está muito melhor. Não vou voltar a andar de ônibus ou bicicleta", ele disse ao "Guardian".
O especialista em transportes urbanos Robin Hickman, da Universidade de Londres, disse que será muito difícil implementar um pedágio urbano em Déli. "Provavelmente seria melhor aumentar o imposto sobre combustíveis na cidade e investir a receita gerada em transportes públicos", opinou Hickman, que já trabalhou em Déli.
TRADUÇÃO DE CLARA ALLAIN

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